Quem disse que o Metal é alienado? Considerações sobre o Ride the Lightning

 O Heavy Metal é uma vertente do rock controversa. Surgida na cidade metalúrgica de Birmigham, da banda Black Sabbath, é de onde a sonzeira barulhenta veio. Do ruído das fábricas metalúrgicas, como salienta a banda Fear Factory, vieram Ozzy, Butler, Iommy e Ward. A banda do proletariado fez barulho e chamou a atenção, marcada pelo som alternativo, letras inusitadas e que marcaram um som que supostamente é alienado, desplugado e na qual curtimos a música pelo som em si, mas que é crítico. O último evento do Sabbath e o desencarne do Madman Ozzy Osbourne nos chamou a atenção para isso!

O motivo para este texto é saudar uma postagem no grupo do Facebook “Metallica Brasil” ( https://www.facebook.com/MetallicaBrOficial) a respeito dos 41 anos do lançamento de um álbum histórico no dia 27 de julho de 1984, o Ride the Lightning. 1 

O Metallica é uma das bandas mais importantes do heavy metal e é filha de outra banda inovadora, o Motorhead, que realizou uma síntese entre duas correntes do rock que se desenvolveram nos anos 1970: o Heavy Metal e o Punk Rock. Essa nova vertente cresceu com bandas como Anthrax, Slayer, Megadeth e Sepultura e ficou com a denominação Thrash Metal. Não é somente um rótulo para vender, é algo que tem significado como destaco. 

No Metallica, os albums Ride the lightning, Master of Puppets e And Justice for All compõe junto com Kill'em all a fase thrash metal da banda. 

O álbum Kill'em all é excelente, pioneiro, visceral e genial, com músicas icônicas e presentes no playlist clássico da banda, com músicas como Seek and Destroy, Whiplash, No Remorse e  Phantom Lord,  entre outras. Impressiona na sonoridade que mescla metal e punk e reflete a genialidade do Metallica. O som é o mais punk do grupo (ouçam a música Whiplash) e a síntese com a NWOBHM é primária, explosiva e inovadora. 



Ride the Lightning é um álbum que equilibra a sonoridade com letras críticas e pode ser lida as letras e ouvido (a sonoridade é ótima). Sua repercussão é histórica. Boa parte de suas músicas são tocadas pela banda ao vivo até hoje. O Ride the Lightning é um dos álbuns mais maduros do Metallica na fase thrash metal e as opiniões contidas nele estão vivas. 

A síntese entre o punk e heavy metal ocorre nas letras e na sonzeira. Um álbum conceitual, existencial, crítico, envolvendo muitas temáticas da juventude, da construção do estatuto de valores e da vida. A síntese entre punk e heavy metal acompanha a criticidade punk e reflete o ambiente underground do rock na California, na Inglaterra e no Brasil do final do século XX.  

A bolacha inicia-se com uma música contra a Guerra Fria e a corrida armamentista, Fight fire with fire. Uma música com sonoridade que se aproxima do hardcore e lida com uma disputa que poderia levar ao fim do mundo. Por enquanto não chegamos ao Apocalipse, mas a música continua atual no debate de guerras eternas... 

A próxima faixa do disco é título do álbum, critica a pena de morte, com uma cadeira elétrica de execução de condenados. A capa do álbum é o espelho dessa música, mais cadenciada, porém agressiva e que espelha a eletricidade passando pelas veias dos Seres e pelo logotipo histórico da banda... A vida é colocada como prioridade.

Numa viagem NWOBHM, a próxima faixa fala de uma obra Ernest Hemingway, For Whom the Bell Tolls, por quem os sinos dobram no início da música, um hino do Metallica. Uma música que traz a tradição do rock 1968, pacifista, Heavy Metal, do Black Sabbath e do Deep Purple, uma tradição com nova sonoridade thrash. 

Numa possível influência paterna de Hetfield e dos membros do grupo, vem um outro clássico bíblico das pragas ao Egito, Creeping Death. Uma música com influência NWOBHM e que carrega de certa maneira, algo daquilo que é muitíssimo bem feito pelo historiador Bruce Dickinson, vocalista do Iron Maiden.  

Destaco, por fim, uma música creditada a uma caixa amplificada que morreu e até pode ser... mas que dá outra interpretação em um álbum conceitual, a questão da vida e da morte e que percorre o existencialismo, uma tomada cinematográfica, um Fade to Black.  

Se o Kill’em All é instintivo, perturbador e punk, o Ride consolida uma fase thrash metal com conteúdo, síntese entre punk e heavy metal. Não é somente sonoro, tem abordagens com crítica social, existencialismo e citações bibliográficas, bíblicas, entre outros.  Isso continuará nos álbuns Master of Puppets e And Justice For All, que finaliza a fase thrash metal do Metallica. Os dois também são conceituais. Analisarei em outra ocasião. Vale a pena ouvir e observar! 


 


Outras referências sobr esse álbum histórico se encontram no Wikipedia, que está bem elaborado: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ride_the_Lightning

N.º 

Título 

Compositor (es) 

Duração 

1. 

4:44 

2. 

Hetfield, Ulrich, Burton, Mustaine 

6:36 

3. 

Hetfield, Ulrich, Burton 

5:09 

4. 

Hetfield, Ulrich, Burton, Hammett 

6:57 

5. 

"Trapped Under Ice"   

Hetfield, Ulrich, Hammett 

4:04 

6. 

"Escape"   

Hetfield, Ulrich, Burton, Hammett 

4:23 

7. 

Hetfield, Ulrich, Burton, Hammett 

6:35 

8. 

"The Call of Ktulu" (Instrumental) 

Hetfield, Ulrich, Burton, Mustaine 

8:53 

Duração total: 

47:25 


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