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Mostrando postagens de 2015

O que John Constantine pode ensinar ao Brasil?

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O que John Constantine pode ensinar ao Brasil? Já havia escrito em texto encriptado o que acho da conjuntura: " A Nanotecnologia, Voldemort e as Lavanderias: nós somos sujos, mas somos mentirosos? " . Diante de várias conversas com amigos e colegas, decidi destrinchar um pouco mais do que acho sobre a situação atual de tudo... Há alguns anos atrás, eu li um HQ de John Constantine, o Hellblazer, de Alan Moore (ver um blog aqui . Depois virou um filme (2005), porém ele não captou o episódio que acho relevante para este post. No HQ, Constantine lembra em aparência do cantor Sting. É um personagem que combate demônios, tem conhecimentos de ocultismo e é um ser, digamos, escroto. Arrogante, fumante e alcoólatra inveterado, uma verdadeira chaminé que bebe, astuto, inteligente, mas insuportável. Tem sempre uma imagem de mistério, uma neblina a la cinema francês nouvelle vague,  dos anos 1950-60 em torno do personagem. Ele é odiado no inferno. Matou muitos demônios e é...

A Nanotecnologia, Voldemort e as Lavanderias: nós somos sujos, mas somos mentirosos?

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Hoje acordei me lembrando de Bronstein. O intelectual e líder político era muito culto, aparentemente muito educado e sedutor na retórica e na elaboração teórica. Apesar de nunca ter sido do time de suas forças políticas, admiro boa parte de seus analistas. Por isso, decidi escrever à moda desse autor hoje. E vou fazê-lo como se fazia até os anos 1980... rs O modo de produção capitalista é um dos mais poderosos que já houve na Terra. É verdade que não é o mais longevo e não necessariamente aquele que modificou mais o panorama, porém sua força está no acúmulo de experiência dos modos de produção anteriores, em sua sofistificação jurídica e na capacidade de sobreviver a crises sucessivas utilizando-se de uma tradição seletiva que articula a pós-modernidade e a barbárie. A Inglaterra e os EUA foram os grandes países hegemônicos desse modo de produção durante a maior parte desses séculos. Porém, sua flexibilidade interpretativa e sua resiliência conseguem estar em todos os países ...

A redução da velocidade nas ruas: Cronenberg explica!

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REDUÇÃO DA VELOCIDADE NAS MARGINAIS DE SAMPA: SOU A FAVOR! Decidi entrar neste debate por saber que as pessoas estão muito acostumadas a certas situações e saem por aí com sensos comuns e percepções que são repetidas à exaustão: "é a indústria da multa, é o governo se metendo na minha vida, não dá sequer para engatar a quarta marcha...".  E por aí vão os argumentos estapafúrdios feitos inclusive por parcela dos meios de comunicação. Para não ficar numa teoria sem fim sobre a questão da tecnologia e sua relação com o Homem (e, claro, a Mulher), destaco um dos meus diretores de cinema favorito: David Cronenberg. A tecnologia é uma construção social e histórica. Ela não é neutra, incorpora valores sociais, políticos, culturais, só que incorporados internamente. Têm uma transcedência e podem ser incorporados inadvertidamente por outras civilizações e contextos. Num dos vários filmes, " Crash ",  Cronenberg (diretor de "A Mosca", "Gêmeos, Mórb...

Doutor Jivago

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Doutor Jivago é um romance que resgata o século XIX em um pano de fundo muito pronunciado da transição da Rússia czarista para a emergência da Revolução Russa. O diretor, David Lean é um especialista em grandes tomadas, paisagens que vão de desertos a florestas equatoriais, sempre envoltas com o mistério da natureza frente a momentos limites, como aqueles que se vive em guerras. Foi assim em A Ponte sobre o Rio Kway e Lawrence da Arábia, outros clássicos dirigidos por ele. As várias loucuras das guerras são expostas neles e a crítica parece ser maior do que a simples leitura de suposto macarthismo no filme. Vai além, porque resgata a fome, a miséria, o massacre de trabalhadores e a derrocada do czarismo. A guerra civil entre russos brancos e vermelhos permite o entendimento do início da União Soviética, os excessos e o aumento da opressão e da crescente falta de liberdade de expressão no capitalismo de Estado naquela sociedade de tipo oriental. A cena final mostrando a usina hidre...

Utopias Possíveis para o Brasil: precisamos de uma para viver!

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Ontem estava conversando com uns amigos à noite e discutindo a crise. A crise econômica, civilizacional e outras amenidades... rs Há alguns dias atrás ouvi uma declaração de Lula é que era necessário uma nova utopia. Aquilo me incomodou, mas foi algo que acredito que seja essencial para qualquer reflexão contemporânea. Lula, sindicalista, falava em 1978 que a utopia dele era que todos comessem três vezes ao dia, tivessem um carro na garagem de sua casa, que todos fossem para a escola, tivessem acesso ao hospital e, claro, tivessem emprego. Era mais ou menos o que tinham os metalúrgicos daquela época. Passado quase 40 anos percebe-se que aquela utopia, que pareceria simples a um militante de esquerda na época, que queria uma outra sociedade distinta, está superada. Foram gerados mais de 20 milhões de empregos formais, o programa Minha Casa Minha Vida atingiu mais de 3,5 milhões de casas afora o SFH que atingiu outros milhões, a produção automobilística mais do que duplicou no ...

Made in Brazil na Virada Cultural Paulistana 2015 - jam session

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Made in Brazil na Virada Cultural Paulistana 2015. Made in Brazil é contemporâneo dos Mutantes, Terço e tantas outras bandas. Essa jam session é histórica, aconteceu com vocalistas das bandas do Made, Casas de Máquinas (Simbas), Korzus (Marcello Pompeu), participação mirim de um moleque com camisa da banda Harpia (Metal SP - anos 1980 - filho do Marcello)... antológico! Mais de 40 anos de história do Rock and Roll e do Heavy Metal no Brasil.

Cidadania duplicada e de mão dupla: O fim do início do governo Dilma II

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O final de semana foi realmente emocionante. O Brasil respirou política em todos os seus poros, vivendo momentos tão intensos quanto aqueles proporcionados pelas eleições 2014. Na oportunidade escrevi alguns textos aqui , ali e acolá sobre aquele processo político e eleitoral. Entendo que este final de semana muda o cenário político e social do país para o próximo período. Acaba-se os primeiros cem dias do segundo mandato do governo Dilma com um desgaste inédito de imagem para um governo, somente menor do que aquele vivido por FHC, em 1999. E a fica sempre a pergunta de Lenin no ar e um sentimento que não compartilho, de que estamos derrotados em nosso projeto.  Muito longe disso... Vídeo de 13 de março 2015 - Em defesa da Petrobras Estamos estranhamente na defensiva desde a vitória eleitoral em outubro de 2014. Houve grande expectativa de alguns setores econômicos e sociais numa possível reviravolta eleitoral que recolocasse o campo conservador no poder cent...

Dilma e Movimentos: Não tem uma coisa de cada vez, é tudo ao mesmo tempo agora!

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O Luis Carlos Azenha, do Blog Viomundo, escreveu hoje um excelente artigo sobre as falhas de comunicação do PT e do governo Dilma. Achei um tanto fatalista: Governo Dilma e PT perderam a batalha da comunicação. Agora, é tentar evitar o impeachment Não sou tão pessimista assim. Acredito que o governo Dilma errou muito na relação com o Congresso, com os empresários, com os movimentos sociais e com toda a sociedade. Sabemos que as características pessoais de um governante mudam a forma de comunicação dos governos. Basta notar Chávez, Castro, Mujica e qualquer sucessor de um governo progressista. Foto: Brendan Smialowski / AFP Mas estamos fazendo isso há muitos anos, o próprio mensalão surgiu a partir das contradições internas na montagem da mesa diretora da Câmara Federal em finais de 2004. Só que contamos sempre com a presença de um artilheiro matador, uma espécie de Super-"Romário" da política, um tal de Luiz Inácio - 13, que leva o time para a galera e vira o jogo. O ti...